Diagnósticos de pele na era da inovação

Por Davi Arraz 16/07/2021 - 14:18 hs
Foto: Divulgação

Os check ups como conhecemos hoje devem mudar radicalmente em alguns anos. Esta é uma promessa feita pela tecnologia ao longo da pandemia, que demonstrou funcionar como um verdadeiro braço direito para os médicos ao viabilizar práticas como a telemedicina. Mesmo especialidades como dermatologia e cirurgia plástica, que sempre se mantiveram convencionais em seu modus operandi, estão experimentando os resultados das inovações.

Esta é uma tendência que já está transformando a forma de fazer Medicina. Se antes as pessoas protelavam suas consultas por falta de tempo, não há mais desculpas: muitas coisas já podem ser resolvidas sem sair de casa, em um toque, via app.

Assim como qualquer outro órgão, a pele cumpre funções importantes, como regulação e imunidade, proteção contra agentes externos e controle de temperatura. Sendo assim, ela necessita de check ups regulares e a tecnologia é bem-vinda para ajudar os médicos a frear a incidência de doenças que poderiam ser evitadas com exames clínicos simples. É muito comum que os pacientes posterguem visitas ao médico para avaliar manchas ou erupções e, quando decidem procurar ajuda, já estão com um quadro avançado. 


Quando lançamos o aplicativo da Academia da Pele, percebemos que, do ponto de vista de procedimentos cirúrgicos ou não, os pacientes se sentem mais confortáveis quando têm um primeiro contato para avaliação via app. Eles relatam que se sentem mais à vontade para buscar informações sobre seus desconfortos e obter o máximo de informações antes de marcar uma consulta presencial. Dessa forma, entendo que a tecnologia só agrega benefícios à saúde e simboliza uma verdadeira aliada da Medicina, em qualquer especialidade.

Para se ter uma ideia da mudança de mentalidade ocorrida na população brasileira no ano passado, um levantamento da consultoria internacional App Annie apontou que o total de downloads de aplicativos voltados para a saúde cresceu 45% no Brasil, comparado com 2019. O número é maior do que a alta mundial, que foi de 30%.

Na Academia da Pele, já vínhamos percebendo o aumento no uso de tecnologia antes mesmo da pandemia. Claro que as limitações impostas pela covid-19 aceleraram esse mercado em pouco tempo, mas foi justamente por acreditar na tecnologia como ferramenta de disseminação da saúde que apostamos nela muito antes da pandemia ocorrer. 

Recentemente, o Google anunciou também uma nova ferramenta chamada Derm Assist, que permite identificar com mais facilidade possíveis doenças de pele, inclusive o câncer. A ferramenta recebe imagens da pele lesionada, enviadas pelo paciente, e os recursos de inteligência artificial do Google analisam as imagens e procuram uma correspondência em um banco de dados de 288 doenças de pele. Em seguida, a tecnologia apresenta possíveis afecções com taxa de precisão de até 97%. A ideia é que o Derm Assist utilize apenas três fotos para encontrar as possíveis doenças, mas para obter resultados mais precisos, há a possibilidade de preencher um questionário com o objetivo de trazer mais detalhes sobre o que pode ser essa mancha ou essa erupção. 

Obviamente, não se trata de uma ferramenta voltada para o diagnóstico, assim como o app da Academia da Pele. Mas entendo que é uma maneira muito eficiente de direcionar o paciente para a necessidade de consultar um médico ou não com urgência - o que é muito interessante. Abre-se assim o leque de opções para atendimento daqueles que não gostam de perder tempo ou que residem em regiões remotas e necessitam agilizar o atendimento.

A boa experiência em plataformas digitais mostrou até aos mais resistentes que é possível contar com atendimento seguro à distância. O mundo digital não conhece limites de fronteiras e pode chegar a qualquer lugar - ou melhor, a qualquer paciente.

 

Fonte: Eduardo Kanashiro/Yara Simões